Pesquisadores propõem classificar diabetes adulto em cinco tipos. Distinção ajudaria a decidir tratamentos para diferentes evoluções e complicações da doença

Os cientistas analisaram seis medidas usadas para monitorar os pacientes que refletem aspectos chave da doença: idade do diagnóstico, índice de massa corporal, controle glicêmico de longo prazo, funcionamento das células produtoras de insulina no sangue, resistência à insulina e presença de anticorpos associados ao diabetes autoimune. Eles também fizeram análises genéticas dos pacientes, e compararam a progressão da doença, tratamento e o desenvolvimento de complicações associadas à doença em cada tipo de diabetes.

Numa primeira análise de uma coorte de 8.980 adultos, os pesquisadores identificaram um tipo de diabetes autoimune e quatro subtipos distintos de diabetes do tipo 2. Eles então testaram seus achados em mais três coortes com um total de 5.795 pessoas, mostrando que os cinco diferentes tipos identificados também estavam presentes nestes pacientes.

Segundo os pesquisadores, os cinco tipos de diabetes se mostraram bastante distintos, incluindo três formas severas e duas mais leves da doença. Entre as formas severas estava um grupo com grande resistência à insulina e um risco significativamente maior de problemas nos rins dos que as outras vítimas da doença, afetando de 11% a 17% dos pacientes (grupo 3), e um grupo relativamente jovem, com deficiência na produção de insulina e mau controle metabólico, mas sem anticorpos autoimunes, com uma prevalência entre 9% e 20% (grupo 2). Já a terceira forma severa foi vista em um grupo que tinha deficiência de insulina e os anticorpos autoimunes, uma forma de diabetes anteriormente classificada como do tipo 1 e chamada de diabetes autoimune latente em adultos (Lada, na sigla em inglês), atingindo de 6% a 15% dos pacientes (grupo 1).

Já a forma mais comum de diabetes mostrou ser uma das mais moderadas, vista principalmente em pacientes mais velhos, com uma prevalência entre 39% e 47% (grupo 5). Já o segundo tipo mais leve só foi observado em indivíduos obesos e afetou de 18% a 23% dos pacientes (grupo 4). Todos os cinco tipos também se mostraram geneticamente distintos, com nenhuma mutação associada a todas as variantes da doença. Este achado apoia a noção de que os cinco tipos são de fato diferentes, e não apenas estágios variados de uma mesma desordem.

Por fim, os pesquisadores analisaram os tipos de tratamentos dados a cada grupo de pacientes, mostrando que muitos não recebiam o tratamento apropriado. Por exemplo, só uma pequena proporção dos pacientes dos grupos 1 e 2 receberam insulina já no aparecimento da doença (42%, ou 212 de 506 pacientes; e 29%, ou 389 de 1.339 pacientes, respectivamente), sugerindo que a classificação tradicional do diabetes não é capaz de indicar o melhor tratamento para as características subjacentes da doença.

Os cientistas, porém, destacam algumas limitações de seu estudo, incluindo não ter sido capaz de confirmar que cada um dos cinco tipos tem causa diferente nem se a tipo de diabetes de um paciente pode mudar com o tempo. Além disso, a pesquisa envolveu apenas pacientes escandinavos, tendo ainda que ser confirmada com outras populações. Mas estudos também serão necessários para testar e refinar a classificação dos cinco tipos incluindo biomarcadores, genótipos, avaliações de risco genético, pressão sanguínea e gorduras no sangue.

Fonte: https://oglobo.globo.com/sociedade/saude/pesquisadores-propoem-classificar-diabetes-adulto-em-cinco-tipos-22448301#ixzz58ajkVeIB stest